‘Preciso de uma tranquilidade que, na minha cabeça, não tem’, diz cantor

    Ricky Martin, 48, está “Living la Vida Loca” de uma forma, digamos, diferente. Abalado com a pandemia do novo
    coronavírus, o cantor lança nesta sexta-feira (29), de surpresa, seu 13º disco (desconsideradas as coletâneas de hits)
    intitulado “Pause” –EP que faz parte de um projeto que conta com mais um álbum, “Play”, ainda sem previsão de lançamento.

    Suas seis novas músicas trazem um tom diferente do que os fãs estão acostumados a ouvir. Mais tranquilas, e por vezes melancólicas, as canções são baladas que mesclam o som dos hits de Martin da década passada com as batidas de reggaeton de sua origem porto-riquenha.

    “Preciso de uma tranquilidade que, na minha cabeça, não tem. Para mim, a música é uma terapia, então quando escrevo e canto tento fazer uma autopsicanálise. Mas minha cabeça não para”, conta Martin, via videoconferência, se esforçando para se comunicar o tempo todo em português.

    “Inclusive, o lançamento do disco é de surpresa porque a vida, o mundo, o cosmos, Deus, dizem: ‘Relaxa. Não há controle’. Avpandemia foi uma surpresa”, explica o cantor, que diz ter sorte por trabalhar com música neste momento e poder lançar umvdisco. “Algo bom tem que sair disso aqui.”

    “Simple”, música que abre o EP, mostra a vontade de Martin de valorizar as coisas mais simples. Por ter sido criada há cercavde sete meses, o cantor diz que ela tem ares premonitórios. “Se eu escrevesse essa canção hoje, provavelmente não teria ovvocabulário perfeito para descrever o que está acontecendo”, diz.

    “É muita informação. As palavras de ‘Simple’ viram para nós um momento de calma. Não queríamos soar como uma maldição, muito menos soar que somos pregacionistas. Queremos simplesmente compartilhar um pensamento puro e transparente”, acrescenta.

    A simplicidade se traduz também na capa do disco, que traz o cantor sem camisa e de costas, virado para uma parede de concreto. “Porque não importa o que você tenha, nada vale, não temos nada”, diz ele, ao revelar que a foto foi tirada por seu marido, o sírio Jwan Yosef, 35.

    A imagem também remete à meditação e à loucura que Martin sentiu nos primeiros 15 dias de isolamento, quando relatou ter sofrido muita ansiedade. “Comecei a ligar para amigos para saber se estavam bem e para contar que também estava nervoso”, diz.

    Para lidar com o momento, ele escolheu se afastar da televisão e das notícias, e se voltar à família. “Eu me vi muitas vezes frente à parede […] E agora quero que todo mundo tire essa foto e coloque nas redes sociais. É um chamado à reflexão.”

    Duas das canções do novo EP, “Cántalo” e “Tiburones”, já haviam sido liberadas anteriormente. A primeira, que é a mais animada das seis, une diferentes gerações de vozes por causa da parceria com Residente e Bad Bunny. Já a segunda, lançada há pouco mais de um mês, traz o lado politizado de Martin, que já havia afirmado que seu próximo álbum seria inspirado nos últimos acontecimentos políticos de Porto Rico.

    Fonte: F5 Folha de São Paulo | 29.05.2020

    Por: BEATRIZ VILANOVA

     

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